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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

Morre Christmas

Naquele ano, tínhamos todos virado reféns. Entre janeiro e dezembro, as ruas ficaram desertas. Entre as paredes de casas e apartamentos, a solidão se instalava mesmo onde vivia mais de um coração. Entre quem partia e quem ficava, a morte rondava por detrás de máscaras que iam ficando cada vez mais caras. Entre discursos sérios e falácias, muitos sofriam num silêncio que gritava. Em setembro de 2020, a Covid seguia se alastrando por todo o planeta Terra, exterminando famílias inteiras e assustando povos e nações. Enquanto nós seguíamos, driblando o vírus mais temido deste século, deixamos passar um vírus do século passado e, distraídos, levamos uma goleada já nos últimos minutos do segundo tempo. Ganhamos do Covid, mas perdemos pro HIV.  Nenhum de nós imaginaria, porque há muito que o melhor tratamento do mundo estava bem aqui, dentro das fronteiras de um país onde o mundo todo se encontrava. Entre o teste rápido e a primeira consulta dele, eu segui com uma certeza que unia razão e ...

1, 2, 32 e já!

É claro que o menino assustado saiu pelos meus olhos algumas vezes, mas, se me pedem pra dizer qual a primeira coisa que vem na mente, eu diria que essa sempre vai ser uma lembrança muito doce: o abraço. O abraço dele sempre foi o melhor lugar do mundo. E, naquele dia, eu só queria que ele também sentisse o mesmo com o meu. De repente, estávamos os dois nos nossos melhores lugares do mundo. E aquilo era maior que qualquer outra coisa. Aquilo era o que nós tínhamos de mais valioso: - Eu te amo. Nós vamos passar por isso juntos. E assim foi o primeiro dia a caminho do meu trigésimo segundo aniversário.